Descendentes de imigrantes italianos no Rio Grande do Sul
12-Nov-2006
Descendentes de Imigrantes Italianos no RS.
Fotos e texto de Tadeu Vilani
A falta de terras e as poucas perspectivas de trabalho verificadas no norte da Itália no final do século 19 forçaram os italianos a aceitar as ofertas do governo brasileiro e emigrar para "fazer a América". Levas significativas de imigrantes vindos na terceira classe de navios abarrotados desembarcaram em terras gaúchas a partir de 1875.
Com a necessidade de colonizar regiões brasileiras e suprir a mão-de-obra com a abolição da escravatura (1888), principalmente após 1850, a imigração européia se intensificou no Brasil. Os italianos chegaram às colônias da serra gaúcha, fundadas em áreas rurais, onde encontraram matas e peraus para semear seu novo mundo.
O confrontamento com obstáculos, a demora na demarcação dos lotes e a precária situação econômica levaram os italianos a percorrerem seus caminhos carregados de angústias. Para encontrar a cocagna, a fartura prometida, a luta pela superação tinha de ser diária. Com lotes de terra pequenos e contando só com a mão-de-obra familiar, os colonos italianos tiveram que se dedicar integralmente ao "lavoro" braçal, derrubando áreas cobertas de matas para cultivar suas esperanças, depositadas nas sementes de milho, trigo e em mudas de videiras.
Começou assim a economia de subsistência, que garantia o alimento e a sobrevivência familiar. A ausência de estradas e o isolamento das famílias em relação aos centros comerciais entravou por anos o desenvolvimento das colônias Conde d'Eu e Dona Isabel (atualmente Garibaldi e Bento Gonçalves, respectivamente) – depois, com a chegada de novas levas de imigrantes, foi formada a colônia Caxias (Caxias do Sul) e posteriormente, em 1877, também a Quarta Colônia, em Silveira Martins.
Os entraves na comercialização dos produtos agrícolas foram superados quando as colônias dos imigrantes conseguiram se firmar como centros comerciais e estruturar meios de transporte. Isso levou prosperidade às colônias e causou aumento populacional, forçando aos descendentes dos imigrantes a buscarem novas terras, atravessando o Rio das Antas e chegando ao planalto, missões e norte do Rio Grande do Sul.
O esforço para a realização deste sonho é visível nos rostos vincados pelos anos de trabalho sob o sol, nas mãos calejadas pelo trabalho contínuo e pesado, nos olhos profundos condenados ao exílio perpétuo. Filhos, bisnetos, netos de imigrantes seguem apegados à religião, que continua confortando as angústias.
Esses descendentes aprenderam a falar a língua portuguesa, mas ainda carregam o sotaque do velho dialeto vêneto; seguem tentando entender a nostalgia de uma Itália que já não existe mais, perdida nos filós dos antepassados.
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